Água Minha

by Álvaro Faleiros

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credits

released January 1, 2003

Produzido por Álvaro Faleiros, Ântonio Dias e Cassiano Nogara

Direção artística: Álvaro Faleiros

Direção Musical: Cassiano Nogara

este cd foi gravado durante os anos de 2001 e 2002 por Luciano Nogara, assistente de gravação André Batalha. Mixado por Luciano Nogara, Cassiano Nogara e Álvaro Faleiros no ESTÚDIO GRAVINA, Campinas/SP. Exceto percussões de "O Faveleiro" por André Batalha e a viola de Roberto Corrêa em "Luares" gravada por Andy Costa no ESTÚDIO ZEN, Brasília/DF.

Masterizado por André Magalhães no ESTÚDIO ZABUMBA em janeiro de 2003.

Pinturas: Fernando Vilela
Projeto gráfico: Fernando Vilela e Sara Goldchmit
Bandcamp: Roger Valença

Produção Gráfica: Andrés Simon

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Álvaro Faleiros São Paulo, Brazil

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Track Name: Água Minha
Água minha minha anágua
Água minha água que car
Rega água minha que des
Água minha mágoa até o mar

Água minha lava minha
Alma lava a minha mágoa
Leva ao vulcão leve leva
Minha lava leve até o mar

Sepultadas no mar
Minhas marcas amargas
Eu lavo com sol e com sal
Pra que eu possa amar
Sem o fardo escuro
Dos dias que hoje lavados
Renascem do mar
Renascem do mar do mar do mar...
Track Name: O Faveleiro
Na Bahia existe um arvoredo
Que se chama faveleiro
E tem histórias pra contar
Ao lado dele Antônio Conselheiro
Juntou índio e mandigueiro
Que livres podiam louvar

É triste, é bela...
A vida nos barracos
Lá no Morro da Favela.

Mas com a guerra de Canudos
Esse povo perdeu tudo
E só pôde foi chorar
Os que sobraram desse ataque traiçoeiro
Foram pro Rio de Janeiro
E começaram a batucar

É triste, é bela...

E a negada dos cortiços
Sentiu nesse canto triste
A sua realidade
E foi assim que nasceu o nome
Desse lugar onde hoje
O povo vive a batucar

É triste, é bela...
Track Name: Luares
Não vestiram todas as palavras
Apenas aquela que estava nua
Tinha saudades, dava choques elétricos
Pedia que lembrassem dela
Tinha chegado há dias na estação
Parecia eterna colada na coluna
Diriam um musgo se a tivessem visto
Mas não a viam, pois invisível era
Aos olhares apressados dos passantes
Salvo os pedintes, pois nela reconheciam
A impressão incômoda daqueles
Que são olhados como se não fossem vistos
Aquela lá não escandalizava
Mesmo se seus gritos surdos despertavam os cães
Pensavam que era a lua, mas era ela
Monumental, esquecida, azul
Pedia esmola que nunca davam
Pois a olhavam, mas não a viam
Havia, contudo, um velho
Que quando em vez vinha consolá-la
Com sua viola de ferrugens
Era cego e por isso sabia
Track Name: Entrelinhas
Você me deixa
Sem palavras
E eu me deito
Na tua página
Você se deita
Sem palavras
E eu me deixo
Na tua página

Entrelinhas
Entre nós
Uma ilha
Cem mil nós
Uma linha
Entrenó
É o que liga
Nossos sóis

No ar
Elos
Teu corpo
É mais que um gesto
Teu silêncio
Não é mais mistério